O papel dos funcionários da escola
O papel dos professores
O papel dos enfermeiros escolares
O papel dos CNEE
O papel dos psicólogos educacionais
O papel dos professores
Os professores têm um papel fundamental a desempenhar no diagnóstico, acompanhamento e apoio das crianças com PHDA.
Reconhecimento e encaminhamento
O conhecimento do professor sobre como a criança se comporta, desempenha e interage com os outros na escola é fundamental para o diagnóstico da PHDA. Para que seja feito um diagnóstico, os sintomas da criança devem estar presentes noutros locais além de casa, portanto, as observações e experiências do professor sobre o comportamento da criança são muito importantes. A avaliação da criança é, portanto, suscetível de incluir uma avaliação psico-educacional.3
A criança pode ser avaliada para verificar se está a atingir a sua idade de forma adequada; por exemplo, através da leitura e de testes de matemática.
Contacto da equipa de profissionais de saúde da criança
Com a permissão dos pais da criança, a equipa especialista responsável pelo cuidado da criança pode contactar a escola ou pré-escola para saber mais sobre a criança:
- Estilo de aprendizagem
- Velocidade de trabalho
- Impulsividade
CNEE
Dado que a PHDA representa frequentemente uma barreira ao sucesso escolar, os professores podem ser os primeiros a reconhecer a PHDA. O primeiro ponto de encaminhamento para os professores é o CNEE (ou o equivalente mais próximo, em áreas que não tenham CNEE), que pode então encaminhar para entidades externas. Claramente, se o professor considera que há um problema com o comportamento da criança, é importante envolver os pais ou encarregados de educação logo desde cedo. Clique aqui para saber mais sobre CNEE.
Intervenção educativa e gestão da sala de aula
Os professores podem auxiliar as crianças com PHDA através de uma variedade de estratégias de intervenção educativa e de gestão da sala de aula, bem como estratégias de modificação do comportamento. Os exemplos de intervenções educativas são:
- Sentar a criança perto do professor, mas sempre como parte habitual da turma
- Garantir que a criança está sentada longe de estímulos que a distraiam, como aquecedores, janelas ou aparelhos de ar condicionado
- Juntar a criança com outras que sejam modelos exemplares
- Encorajar aprendizagem cooperativa
As estratégias específicas para ajudar na dificuldade em permanecer atento incluem:
- Levar os estudantes a repetir as instruções que recebem
- Garantir que os recursos estão prontamente disponíveis e em quantidades suficientes
- Variar o ritmo das tarefas e das atividades utilizadas nas aulas
- Sempre que possível, incluir tarefas ativas bem como tarefas a realizar sentado
- Utilizar folhas de registo e instruções passo a passo
- Se possível, recompensar de imediato a conclusão de tarefas
- Reduzir os ruídos de fundo
- Garantir que os alunos recebem instruções claras e concisas
- Ensinar à criança estratégias para melhorar as suas capacidades auditivas
- Incentivar os alunos a tirar notas
- Utilizar elementos visuais
Para ajudar com o aumento dos níveis de atividade:
- Permitir que os alunos mexam num objeto previamente acordado, por exemplo, uma bola de stress
- Antecipar potenciais problemas e ter respostas planeadas
- Enfatizar a diferença entre o modo "dentro da sala de aula" e "fora da sala de aula"
- Permitir um período para a criança se acalmar antes de entrar na sala de aula
- Incentivar uma atmosfera calma na sala de aula
- Fazer pausas curtas entre os trabalhos
- Planear com antecedência os tempos de transição
- Utilizar tecnologias alternativas, por exemplo, computador, gravador de voz
- Definir uma variedade de tarefas e atividades: se possível, incluir atividades em que os alunos colocam as "mãos na massa"
- Dar exercícios de alongamento a toda a turma a meio da aula
- Procurar o aconselhamento de um terapeuta ocupacional
- Planear momentos para pausas; incentivar os alunos a perceber quando é que isso é necessário
- Dar aos alunos "trabalhos" que exigem atividade
As estratégias específicas para lidar com as dificuldades de organização incluem:
- Assegurar a ligação com os pais/cuidadores a respeito das estratégias consistentes para ajudar a desenvolver rotinas
- Ter materiais extra nas aulas que os alunos possam emprestar/"arrendar"
- Fomentar um sistema de incentivo
- Código de cores e/ou utilização de símbolos no cronograma - garantir que os alunos têm várias cópias e que essas cópias estão disponíveis num local específico
- Verificar as listas de materiais necessários para aulas específicas
As estratégias específicas para lidar com a impulsividade incluem:
- Trabalho em pares e/ou apoio ao estudante
- Programa de gestão de comportamento
- Definir um tempo limite - utilize um cronómetro
Oferecer recompensas por bom comportamento
Os professores podem incentivar o bom comportamento, dando feedback imediato e consistente, e através de sistemas de recompensas e de consequências. Os esquemas de incentivo podem fazer uso de:
- Tabelas de estrela ou autocolantes
- Sistemas de méritos ou por pontos
- Cartões de objetivos
- "Tempo de ouro" ou a escolha do tempo para uma atividade
Para os alunos mais velhos, podem ser consideradas outras opções, incluindo:
- Contratos de comportamento
- Escolhas alternativas de curriculum
- Programas de estudo e trabalho
Prática ideal do dia-a-dia de uma sala de aula
O aconselhamento, orientação e treino também podem ajudar as crianças com PHDA. Para gerir a PHDA a prática ideal do dia-a-dia de uma sala de aula inclui:
- Ter um conhecimento profundo da PHDA
- Ser firme e consistente sobre as regras, mas mantendo-se sempre calmo e positivo
- Manter a sala de aula previsível e organizada
- Lidar com os trabalhos de casa de forma pragmática
- Saber quando recuar quando o nível de frustração do próprio aluno começa a subir
- Falar claramente, com frases compreensíveis
- Olhar a criança diretamente nos olhos quando comunicar
- Dar feedback imediato e consistente em relação ao comportamento
- Desenvolver um sistema de sinalização privado com a criança para avisá-la de forma gentil quando esta está fora da tarefa ou a agir de forma inadequada
- Evitar ridicularizar ou criticar e manter um sentido de humor em circunstâncias difíceis
O papel dos enfermeiros escolares
Se estiver devidamente treinado, o enfermeiro da escola pode estar envolvido na avaliação de crianças com suspeita de PHDA.
O enfermeiro da escola precisa de estar ciente que:
- A dose definida pelo especialista deve ser exatamente seguida
- O horário de administração é crucial para o bem-estar da criança e pode exigir que uma dose seja administrada durante o dia na escola
O papel dos CNEE
Quando se suspeita que uma criança tem PHDA, foi diagnosticada com PHDA, ou entra na escola com um diagnóstico estabelecido, o Coordenador das Necessidades Educativas Especiais (CNEE), ou o equivalente em áreas sem um CNEE, é envolvido.
Levantar a possibilidade de avaliação
Se um CNEE da escola pensa que uma criança pode ter PHDA, este deve levantar a possibilidade de avaliação com os pais, com um psicólogo educacional ou com o médico escolar. Os padrões de encaminhamento e de prestação de serviços variam ao longo do país.
O Registo de Necessidades Especiais e o Plano Educativo Individual
Uma criança com PHDA será provavelmente colocada no Registo de Necessidades Especiais da Escola e nesse caso, a criança pode ter uma declaração de necessidades educativas especiais, ou pelo menos estar envolvida com um plano de ação. Isto significa que a criança terá um Plano Educativo Individual (PEI), que irá detalhar o nível de apoio que a criança vai precisar.
Este PEI será habitualmente gerido pelo CNEE, que irá coordenar com o psicólogo educacional e com os profissionais de saúde, as metas definidas, e qual a frequência que a criança vai ser monitorizada e examinada.
O papel dos psicólogos educacionais
O psicólogo educacional efetua diversas avaliações quando se suspeita de PHDA. Os métodos específicos diferem, mas normalmente envolvem as seguintes etapas destinadas a identificar a PHDA e a diferenciá-la de outras condições.
1º passo – Avaliação
- Teste de capacidades cognitivas – Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - 4ª edição (WISC-IV).
- Teste de desempenho – Teste de Desempenho Individual de Wechsler - 2ª Edição (WIAT-II).
- Isto inclui medidas de leitura, numérica, linguagem escrita e conhecimento oral.
- Estas duas avaliações fornecem comparação entre desempenho e capacidade. Este é o primeiro passo para identificar dificuldades na aprendizagem.
- Woodcock Johnson Ill também oferece dois testes de habilidades cognitivas e testes de desempenho para avaliar o desempenho insuficiente.
2º passo – Testes adicionais
- Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA)
- Questionários a pais e professores – Escala de Conners para obter um perfil de comportamento
- Tarefas de desempenho contínuo – Teste de Desempenho Contínuo Auditivo (ACPT)
- Dislexia (SPLD)
- Teste de Habilidades Fonológicas (PAT)
- Dispraxia (DCD)
- Avaliação em Larga Escala da Habilidade Motora Visual (WRAVMA) para testar as habilidades viso-motoras, viso-espaciais e motora fina
- Perturbações do espetro autista (PEA)
- Quetionário de Comunicação Social (SCQ)